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Husam nos pede que comecemos o livro V.
Ziya-Haqq, o Resplendor da Verdade,
Husamuddin,
Mestre para os mais Puros Mestres
se minha garganta não fosse tão estreita,
eu te louvaria como deves ser louvado,
em alguma linguagem outra, que não esta linguagem de palavras,
mas uma galinha doméstica não é um falcão.
Temos que misturar o verniz que temos
e dar uma pincelada.

Não falo para materialistas. Quando menciono Husam,
falo apenas àqueles que conhecem segredos espirituais.
O louvor é simplesmente abrir as cortinas
para deixar que entrem suas qualidades.
O Sol,
é claro, permanece à parte do que digo.

O que aquele que louva está realmente louvando é
a si mesmo, ao dizer implicitamente,
"Meus olhos estão claros".

Do mesmo modo, o que critica está criticando
a si mesmo, dizendo implicitamente, "Não posso ver muito bem
com meus olhos tão inflamados".

Em momento algum tenha dó de alguém
que queira ser o Sol, aquele outro Sol,
Aquele que faz das coisas podres, frescas.

E nunca inveje alguém
que queira ser este mundo.

Husam é o Sol de que falo.
Não pode ser entendido com a mente, ou dito,
mas aos tropeços, tentaremos.
Apenas porque não podes beber tudo o que cai
não significa que desistirás de tomar goles
da água da chuva. Se a noz
do mistério não pode ser tomada,
deixe-me ao menos tocar a casca.

Husam, refresque minhas palavras, tuas palavras.
Minhas palavras são apenas a superfície do teu saber,
uma atmosfera terrestre comparada a teu vasto espaço.

O que digo é apenas para te mostrar, a Ti,
de modo que quem quer que ouça estas palavras não se lamente
por nunca ter tido a chance de ver.

Tua Presença me retira de minha vaidade
e imaginação e opinião.

A reverência é o ungüento
que nos curará os olhos.

E uma constante e perspicaz escuta.
Permanece na intempérie como uma palmeira
levantando os braços. Não caves buracos de rato
na terra, argumentando em um
labirinto doutrinal qualquer.

Esta teia intelectual te mantém coberto
na cegueira. E outras quatro características
te impedem de amar. O Alcorão as chama de
quatro pássaros. Diga Bismillah, e corte
as cabeças destes pássaros pestilentos.

O galo da luxúria, o pavão real do desejo
de ser famoso, o corvo da posse, e o pato
da urgência, mate-os e os faça reviver
em outra forma, mudados e inofensivos.

Há um pato em ti.
Nunca se satisfaz, procurando pelo seco
e pelo molhado do mesmo modo, como um ladrão numa casa vazia
juntando objetos em seu saco, pérolas,
grãos-de-bico, qualquer coisa. Sempre pensando, "Não há tempo!
Não terei outra chance!"

Uma Verdadeira Pessoa é mais calma e ponderada.
Ele ou ela não se preocupa com interrupções.

Mas este pato tem tanto medo de não conseguir tudo o que vê
que perdeu toda a generosidade, e expandiu assustadoramente
sua capacidade de ingerir comida.

Um grande grupo de infiéis
certa vez veio ver Muhammed,
sabendo que ele os alimentaria.

Muhammed disse a seus amigos,
"Dividí estes visitantes entre vós.
Como estais todos repletos de mim,
será como se eu fosse o anfitrião."

Cada amigo de Muhammed escolheu um hóspede,
mas uma enorme pessoa foi deixada para trás.
Ele sentou-se na entrada da mesquita
como a borra grossa no fundo de uma xícara.

Então Muhammed convidou o homem à sua própria casa,
onde o enorme filho de um Turco Ghuzz comeu tudo,
o leite de sete cabras e comida suficiente
para dezoito pessoas.

Os outros na casa estavam furiosos.
Quando o homem foi para a cama, a empregada bateu a porta
atrás dele e a trancou, cheia de mágoa
e ressentimento. Pela meia-noite, o homem
sentiu diversas necessidades de uma só vez.

Mas a porta! Tenta abrí-la,
insere uma lâmina pela fresta. Nada.
A urgência aumenta. O quarto se contrai.
Ele cai em um sono confuso e sonha
com um lugar desolado, já que ele mesmo é
tal lugar desolado.

Então, sonhando que está só,
ele se alivia de uma enorme quantidade
e outra enorme quantidade.

Mas logo fica consciente o suficiente
para descobrir que os lençóis que junta ao redor de si
estão cheios de excrementos. Ele se agita com espasmos da vergonha
que normalmente impede os homens de fazer tais coisas.

Ele pensa, "Meu sono é pior que minha vigília.
A vigília é apenas cheia de comida.
Meu sono é tudo isto."

Ele agora está chorando, amargamente embaraçado,
Esperando pelo amanhecer e pelo ruído do abrir da porta,
esperando que de alguma forma ele possa sair
sem que ninguém o veja como está.

Serei breve. A porta se abre. Ele está salvo.
Muhammed vem ao amanhecer. Ele abre a porta
e se torna invisível para que o homem não se sinta envergonhado,
e assim possa escapar e lavar-se
e não ter que encarar aquele que abriu a porta.

Alguém completamente absorvido em Alá como Muhammed
pode fazer isto. Muhammed havia visto tudo o que acontecera
durante a noite, mas conteve-se e não deixou o homem sair
até que tudo acontecesse como era necessário acontecer.

Muitas ações que parecem cruéis
são de uma profunda Amizade.
Muitas demolições são na verdade renovações.

Mais tarde, um servente intrometido
trouxe a Muhammed as roupas de cama.
"Veja o que teu hóspede fez!"

Muhammed sorri, sendo ele misericórdia a todos os seres,
"Traga-me um balde d'água."

Todos saltam, "Não! Deixe-nos fazer isto.
Vivemos para servir-te, e este é o tipo de trabalho manual
que podemos fazer. O teu é o trabalho interior do coração."

"Sei disso, mas esta é uma ocasião extraordinária."

Uma Voz em seu interior está dizendo, "Há grande sabedoria
em lavar estes lençóis. Lave-os."

Enquanto isso, o homem que manchou os lençóis e fugiu
está voltando à casa de Muhammed. Ele havia deixado para trás
um amuleto que sempre levava consigo.

Ele entra e vê as Mãos de Deus
lavando seus lençóis incrivelmente sujos.
Ele esqueçe o amuleto. Um grande amor de repente o adentra.
Ele rasga sua camisa. Bate a cabeça
contra a parede e a porta. Sangue
escorre de seu nariz.

Gente vem de outras partes da casa.
Ele está gritando, "Fiquem longe!"
Bate na própria cabeça, "Não tenho discernimento!"
Prostra-se diante de Muhammed.
"Tu és o Todo! Eu sou uma vil minúscula
peça inexpressiva. Não posso olhar-Te."
Ele está quieto e treme de remorso.

Muhammed inclina-se e o segura e o acaricia
e abre seu saber interior.

A nuvem derrama suas lágrimas, e então o jardim floresce.
O bebê chora, e o leite da mãe flui.
A Enfermeira da Criação disse, Deixe-os chorar bastante.

Esta chuva-lamento e sol-ardência se entrelaçam
para nos fazer crescer. Mantenha sua inteligência quente como ferro em brasa
e teu lamento reluzente, assim tua vida permanecerá fresca.
Chore facilmente como uma criancinha.

Deixe que as necessidades do corpo minguem e as decisões da alma aumentem.
Diminua o que dás a teu ser físico.
Teu olho espiritual começará a se abrir.

Quando o corpo se esvazia e permanece vazio,
Deus o enche com perfume e madrepérola.
Desta maneira um homem troca seu excremento por pureza.

Ouça os Profetas, não algum garoto adolescente.
A fundação e as paredes da vida espiritual
são feitas de sacrifícios e disciplina.

Fique com amigos que te suportem nisso.
Fale com eles sobre textos sagrados,
e sobre como estás indo, e como eles estão indo,
e mantenham suas práticas unidos.